Violinista da Orquestra Filarmônica de Goiás participa da SonArte Buenos Aires Publicado em: 29 de abril de 2026
Lucas Azevedo foi escolhido como spalla da orquestra que se apresentou ao final da residência artística, que reuniu músicos de 12 países da América Latina
Texto: Ana Maria Morais
O violinista Lucas Azevedo, membro da Orquestra Filarmônica de Goiás desde 2021, foi um dos participantes da Residência Artística SonArte Buenos Aires (Argentina), ocorrida de 14 a 17 de abril, em parceria com o Teatro Colón, reunindo músicos de 12 países da América Latina. Além de Lucas, o Brasil foi representado também pela violinista gaúcha Dâmaris dos Santos. A SonArte nasceu do sonho pessoal de seu fundador, Luis Barbé Espinosa, um trompista uruguaio com formação na Alemanha e na Áustria, que vivenciou as dificuldades enfrentadas por músicos latino-americanos para acessar uma educação artística de nível internacional. Movido por essa convicção, Luis idealizou um projeto que uniria mundos: jovens músicos da América Latina e professores das orquestras mais prestigiadas do planeta compartilhando experiências em residências artísticas, festivais, masterclass e mentorias.
Nesta edição da Residência, os músicos passaram por um processo intensivo de formação, que incluíram aulas e mentoria personalizada com professores internacionais – o chileno Álvaro Parra, violinista da Orquestra de Berlim, e a alemã Kristina Suklar, spalla da Orquestra da Rádio de Vienna –, ensaios de música de câmara, workshops especializados e diversas atividades acadêmicas e artísticas. A residência culminou em um Concerto de Gala no Salão Dourado do Teatro Colón, onde os participantes apresentaram os resultados do trabalho desenvolvido durante a residência.
“Eu só acreditei que estava lá quando houve a primeira conversa da equipe da direção com todos os selecionados. E foi muito marcante para mim porque eu nunca tinha saído do país, exceto quando fui ao Paraguai fazer compras. E logo de cara já saí do país para tocar em outro país, foi uma experiência muito legal, ainda mais no Teatro Cólon, que é um lugar lindíssimo, fantástico e super reconhecido. É um dos principais teatros da América Latina e quem sabe do mundo. Teve muitas coisas que eu nem esperava, então acabou superando minhas expectativas”, relata Lucas, informando que, além de todas as orientações que tiveram, ainda contaram com palestras de uma psicóloga especialista em desenvolvimento de músicos e carreira artística e de uma pianista que também falou sobre saúde mental. “Outra palestra que me surpreendeu muito foi sobre a técnica Alexander, que é sobre consciência corporal, e que foi muito importante para mim. Eu sinto que eu voltei de lá com a coluna mais no lugar, sabendo me colocar melhor para tocar”, descreve.

Foto: Arquivo pessoal
Ele conta que todos os seus colegas da classe de violino têm um excelente nível técnico. “Só para citar, tinha uma menina da Venezuela tocando Eugéne Ysaÿe, uma coisa fantástica, foi muito legal de ouvir. Tinha uma menina de 14 anos tocando, muito bem, Rondo Caprichoso, de Saint Saens... E apesar de tudo isso, uma coisa que me surpreendeu muito foi eu ter sido selecionado como spalla da Orquestra do SonArte que tocou no Colón, isso para mim foi valiosíssimo, essa experiência de ensaiar com esses músicos e liderá-los foi algo fantástico”, agradece.
Outro ponto ressaltado por Lucas é o alto nível técnico dos professores, de quem recebeu feedbacks importantes sobre seu trabalho. Além disso, ele destaca as novas conexões e a expressão por meio de um idioma diferente como um aprendizado intenso sobre diversas culturas. “Eu acho que foi valiosíssimo e ainda teve um plus, porque no final da residência o diretor foi fazer um discurso de agradecimento e começou a falar sobre alguns países para uma nova edição, e o Brasil foi muito aclamado por todos. Então quem sabe no futuro a gente tem uma edição desse encontro tão bacana aqui no Brasil.” O músico acredita que tudo isso vai contribuir com sua carreira e com o seu desenvolvimento na orquestra.
"Eu posso dizer que eu sou uma pessoa muito realizada porque a música é uma forma de transformar, de conectar as pessoas. Eu acredito muito nesse poder da música de ser um processo de transformação da sociedade como um todo, levando cultura, levando essa alimentação, digamos, da psiquê. Tem momentos filosóficos também, momentos reflexivos, assim como, por exemplo, ontem a gente tocou um concerto, a gente tocou uma sinfonia que foi feita no final da Segunda Guerra Mundial e que ela é carregada de significado relacionado àquele período. Então, eu acho que o meu principal sonho, se eu pudesse ter um agora, era me aproximar mais da formação de novos estudantes, de contribuir para a formação e inclusão dessas pessoas no mundo da música”, conclui.
Dâmaris dos Santos, a outra brasileira que participou da residência artística, foi finalista do programa prelúdio, da TV cultura, que é o principal programa de música clássica do Brasil. Foi membro da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba) e, atualmente, é funcionária pública da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que tem uma orquestra profissional.
Ela corrobora as declarações de Lucas Azevedo, dizendo que participar da Residência Artística SonArte foi uma experiência extremamente enriquecedora. “Se fosse escolher uma palavra para definir o que foi, seria: comunidade. Em poucos dias, já nos sentíamos parte de uma comunidade de músicos que buscam ser melhores a cada dia. Através dos workshops fomos instigados a pensarmos a nossa profissão de maneira mais completa, feita de não somente notas, frases, técnicas, certo/errado, mas sim feita de uma trajetória de autoconhecimento”, analisa.
Dâmaris diz ainda que, nas aulas de violino, pôde ver o carinho, atenção e dedicação de cada professor em ser o mais claro possível, de não deixar que o aluno se fosse sem ter entendido completamente o que ele quis ensinar. De acordo com ela, na convivência com os colegas, experimentou uma sensação de liberdade, que muitas vezes não sente no meio, por conta dos julgamentos e críticas exacerbadas. “Todos estávamos lá com o mesmo objetivo, e apoiando-nos uns aos outros. Os organizadores nos ofereceram uma experiência completa e indico essa Residência a todos os músicos. Quanto mais nos conhecemos, melhor podemos fazer o que nos propomos, e isso reflete na maneira como o público absorve nossa arte”, aconselha.

Foto: Arquivo pessoal
Trajetória de Lucas Azevedo
O paulistano Lucas Azevedo iniciou seus estudos musicais aos seis anos de idade. Aos 14 ingressou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde estudou violino e integrou a Orquestra Sinfônica da instituição como chefe de naipe. Prosseguiu sua formação na Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim, sob orientação de Pedro Della Rolle, tendo estudado anteriormente com Evelyn Carmo e Davi Graton. Ao longo de sua formação participou de cursos e masterclasses com importantes violinistas do cenário nacional e internacional, entre eles Péter Tfirst (Canadá), Peter Brunt (Reino Unido), Elisa Fukuda, Emmanuele Baldini (Itália/Brasil), Luis Otavio Santos e Ana de Oliveira.
Como camerista, foi fundador do Quarteto Elle, em São Paulo, do Selten Trio e do Quarteto Camburi, em Vitória. Com o Selten Trio realizou turnês pelo Brasil e gravou um CD dedicado a obras do compositor Marcelo Rauta. Com o Quarteto Camburi realizou dezenas de concertos no Espírito Santo e no Mato Grosso do Sul, além de gravação para o Festival de Nariño, na Colômbia.
Sua experiência orquestral inclui participações na Orquestra Britten, Orquestra Sinfônica do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, Orquestra Sinfônica Carlos Gomes, Orquestra Jovem Tom Jobim e Orquestra do Porto de Santos. Foi spalla convidado da Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo (OSES) durante sete anos. Como solista, apresentou-se com a OSES na temporada de 2021, interpretando o Gran Duo Concertante de Giovanni Bottesini ao lado do contrabaixista Felipe Medeiros, sob regência do maestro Helder Trefzger, e com a Orquestra do Porto de Santos, interpretando a Melodia Hebraica de Joseph Achron. Desde 2021 é violinista da Orquestra Filarmônica de Goiás.
Na área pedagógica, atuou como professor no projeto Vale Música, lecionando violino, prática de orquestra e teoria musical. Também integrou o corpo docente e artístico do Festival Internacional Douradense de Música, onde assinou a curadoria artística e a coordenação pedagógica do núcleo de cordas friccionadas.

Foto: Cinthia Oliveira
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