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Protagonismo feminino em pauta: Elas Inovam reúne lideranças e inspira novas trajetórias

Publicado em: 26 de março de 2026
Protagonismo feminino em pauta: Elas Inovam reúne lideranças e inspira novas trajetórias

A segunda edição do seminário debateu temas sensíveis à luta feminina por mais equidade de gênero, proporcionando conhecimentos e estratégias práticas para serem aplicadas no mercado de trabalho

No dia 21 de março, 115 pessoas se reuniram no Hub Goiás para a segunda edição do Seminário Elas Inovam. Idealizado pelo Centro de Educação, Trabalho e Tecnologia (CETT-UFG), contando com a parceria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e das direções das Escola do Futuro de Goiás, o Elas Inovam tem como foco as mulheres goianas que são empreendedoras, ou que planejam abrir o próprio negócio, ou que queiram se inserir no mercado de tecnologia. As participantes assistiram a palestras e rodas de conversa com temas sobre Liderança Feminina, Tecnologia e Negócios. A programação contou, ainda, com oficina de fotografia, exposição de casos de sucesso de incubação de empresas, mentorias com especialistas, banca para inscrição nos editais abertos, exposição de objetos feitos na impressora 3D e exibição de Óculos de Realidade Aumentada. 

NART

O evento foi aberto com a apresentação de um grupo de alunas violonistas da Unidade de Ensino Descentralizada (Udepi) da cidade de Silvânia, gerenciada pela EFG Paulo Renato, de Valparaíso. Esse curso de violão faz parte do Programa Núcleo de Promoção e Desenvolvimento Artístico de Goiás (Nart), presentes em 12 municípios goianos e sob gestão das seis EFGS. 

Em seguida, a diretora de Treinamento e Desenvolvimento e Avaliação do CETT-UFG, Alethéia Cruz, discorreu sobre a necessidade de conexão com o presente, a sororidade que mulheres precisam ter umas com as outras e sobre o abandono da mentalidade de escassez e da síndrome de impostora, que faz com quem mulheres pensem que não merecem estar em posições bem-sucedidas no mercado de trabalho. “Pergunte a um homem de sucesso se ele tem alguma dúvida sobre seu merecimento em desempenhar sua função. Ele, certamente, não tem. Nós mulheres precisamos fazer essa virada de chave, porque se chegamos em uma função de destaque em qualquer área, é porque lutamos muito para conseguir”, frisou. 

Logo depois, ocorreu a palestra da administradora, mestranda em Direito, pesquisadora em Inteligência Artificial e fundadora do HUB Do Silêncio ao Silício, Danielle Marques, que trouxe sua experiência pessoal ao relatar como conseguiu furar a bolha que controla as tecnologias emergentes no mundo com a criação do projeto Do Silêncio ao Silício, que leva pessoas negras empreendedoras para conhecer a meca da tecnologia digital no planeta – confira, abaixo, o teor da palestra. 

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No segundo turno do evento, a gerente de Projetos Educacionais da Fundação Vivo, Alexandra dos Santos trouxe reflexões poderosas com a palestra “Encruzilhadas: uma conversa sobre ser mulher, negra e executiva”. Alexandra é doutora em Ciências Sociais, com mais de duas décadas de experiência entre a vida acadêmica, assessoria de redes públicas de educação e gerência de Projetos Educacionais. Sua palestra trouxe uma visão ampla que auxiliam na busca feminina por mais representatividade, apresentando dicas simples e valiosas sobre como conhecer as próprias potencialidades, como desenvolvê-las, como apresentá-las a um possível empregador ou investidor e como aplicá-las na prática do trabalho.

 

Experiências de alunas das EFGs na concretização de ideias inovadoras

Seguindo a programação, foi formada uma roda de conversa com alunas e incubadas de projetos dos Serviços Tecnológicos e Ambientes de Inovação (STAIs) das Escolas do Futuro que desenvolveram ou estão desenvolvendo plataformas digitais para a difusão de ideias inovadoras. Mediada pela Consultora de Marketing, Comunicação, Mídias Sociais e Vendas na EFG Paulo Renato de Souza, Jéssica Sandra, a roda foi formatada por perguntas e respostas, na qual cada uma delas falou um pouco sobre sua experiência na EFG, suas motivações e o que pretende com o projeto.

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A fonoaudióloga Ana Luiza Calixto fez parte do edital de Pré-Incubação da EFG Sarah Kubistchek, em Santo Antônio do Descoberto. Mãe de dois filhos autistas, ela criou a plataforma RaioX do Autismo, dedicada à coleta de dados das famílias, com um levantamento detalhado das condições de vida, inclusão educacional e acesso a tratamentos para os autistas e tem dedicado sua vida a desenvolver soluções tecnológicas e sociais que ampliem a inclusão e a autonomia de pessoas autistas. “A Escola do Futuro nos capacita para sair do ponto A e chegar ao ponto B, nos ensinando a aplicar todos os recursos de forma otimizada”, elogia. 

A médica veterinária Érica Vilela fez parte do projeto de Pré-Incubação da EFG Raul Brandão, em Mineiros. É criadora do AdoteBem, uma iniciativa que busca qualificar a adoção responsável, conectando adotantes, organizações e poder público, além de gerar dados para melhorar o controle populacional de animais domésticos.  Ela Acredita que a causa animal precisa de soluções estruturadas, colaborativas e sustentáveis — e é isso que vem construindo com seu trabalho. “A Escola do Futuro veio como uma rede de apoio fundamental para que esse projeto reunisse tecnologia, gestão e impacto social”, declara.

A contadora Luiza Oliveira, pós-graduada em Educação Superior e Planejamento Tributário, se especializou em abertura e gestão de empresas, atuando com foco em estratégia, organização financeira e crescimento sustentável. Para auxiliar outras mulheres Luiza criou o Ela Conta, projeto que nasceu com o auxílio do edital Goianas S. A. e que, neste semestre, está no edital Pré-Incubação da Escola do Futuro Paulo Renato, em Valparaíso. Segundo ela, o projeto tem assegurado autonomia financeira e o fortalecimento de muitas mulheres. “Eu não tenho tempo, nem conhecimento para criar um aplicativo, então, a Escola do Futuro concretizou a expectativa de fazer minha ideia se tornar realidade”, afirma. 

Professora e especialista em Educação Inclusiva com Tecnologias Assistivas, Railde Hipólito é fundadora da empresa IncluaBR, consultora de Emprego Apoiado e membro Fundadora da Associação Goiana de Emprego Apoiado (Apoia-GO), atuando junto ao Fórum Goiano de Inclusão no Mercado de Trabalho Pessoa com Deficiência e Reabilitados pelo INSS (Fimtpoder). Agora, por meio do edital Goianas S.A. na Escola do Futuro José Luiz Bittencourt, Railde está criando uma plataforma para divulgar oportunidades de emprego e capacitação para pessoas com deficiência. “Eu sempre trabalhei com a educação, trabalhei no projeto Jovem Aprendiz e percebi que havia uma lacuna: a falta de oportunidades para o jovem com deficiência. E é isso que a Escola do Futuro de Goiás me mostrou um caminho para fazer de uma forma eficaz”, destaca.  

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Por fim, a doutoranda em administração e co-fundadora da ONG Oásis de Sonhos, Bianca Porto, ministrou a palestra “Empreendedorismo na Economia Criativa”, trazendo um olhar prático sobre como transformar talentos em renda e inovação. “No contexto da inovação no setor cultural, a criatividade é o combustível que impulsiona a geração de ideias originais, soluções únicas e novas abordagens para desafios complexos”, assegura. “Tem mulheres que são criativas, têm talentos únicos, mas têm vergonha de transformar isso em negócio, de ganhar dinheiro com isso, mas não devem ter, porque elas podem garantir a sobrevivência fazendo o que gostam”, orienta. 

 

A luta de Danielle Marques para romper com o ciclo da exclusão 

Danielle, que é natural de Ribeirão Preto (SP), contou que seus pais não estudaram, mas tinham o estudo em casa como algo obrigatório, sem possibilidade de negociação. Outro ponto que ela considera importante é que a mãe abriu sua mente para os sonhos. “Ela levava a mim e a meus irmãos no bairro mais rico da cidade e dizia: ‘Escolhe a casa que você quer morar e fique sempre pensando nela, um dia você vaia conseguir’. Então, ela já fazia o que a professora Alethéia disse, nós sobrevivíamos com muita dificuldade, mas ela já nos preparava para pensar grande.”

Segundo ela, seu sonho inicial era a Medicina, mas, do último ano do Ensino Fundamental até o Ensino Médio, a escola pública na qual estudava chegou a ficar três anos sem professor/a de matemática. Além disso, devido às dificuldades financeiras familiares, começou a trabalhar aos 14 anos. Apesar desses obstáculos, conseguiu entrar em uma faculdade particular em Ribeirão Preto, com bolsa do Prouni. “Passei a conviver com pessoas riquíssimas, que andavam de carro zero, enquanto eu contava o dinheiro para pegar o ônibus. Quanto mais eu tentava me encaixar, pior era. Foi muito difícil entrar, mas estava sendo ainda mais difícil permanecer e concluir”, relembra. 

O ano era 2017, e a demissão do emprego, no qual atuava como Jovem Aprendiz desde os 14 anos, deu o impulso necessário para que ela transformasse seu descontentamento em atitude: procurou por um país que não precisasse de visto, verificou que as portas de todos os países do Mercosul estavam abertas, e escolheu a Colômbia. “Eu tinha três mil reais, ia ter quatro meses de seguro-desemprego, assim, tranquei a faculdade e fui dividir um quarto com uma amiga naquele país.” Como uma pessoa de muita iniciativa e focada nos estudos, foi logo procurar a Universidade de Antioquia, em Medellín, onde participou de Estudos Afrodiásporicos, disciplinas extracurriculares que trouxeram a ela uma nova consciência. Junto a isso, conheceu muitas pessoas do afroempreendedorismo. “Uma realidade bem diferente do Brasil”, ressalta. Após seis meses de intercâmbio, voltou ao curso de Administração, quis falar sobre sua experiência, mas não teve espaço. Assim, decidiu, mais uma vez, agir: ajuntou amigos e criou um grupo para estudar gestão financeira. 

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Finalizado o curso, se tornou a primeira aluna negra a entrar no Núcleo de Empreendedores da Universidade de São Paulo (USP), e lá confirmou que as tecnologias emergentes estão moldando o pensamento humano e que é essa a área na qual queria atuar. Trabalhou na Quinto Andar, uma plataforma digital com ofertas de aluguel, compra e venda de imóveis em todo o país, e viu a empresa receber um investimento milionário. 

Em 2022, decidiu que iria ao Vale do Silício para compreender melhor a realidade e diagnosticar como as pessoas negras poderiam atuar na área de tecnologia digital. “O Vale do Silício, localizado na região da Baía de São Francisco, na Califórnia (EUA), é o principal polo de tecnologia e inovação do mundo. Concentra gigantes como Apple, Google, Meta e Tesla, além de inúmeras startups, impulsionado pela Universidade de Stanford”, detalha Danielle. 

Para custear a viagem organizada por uma agência, precisava de 12 mil reais, o que conseguiu por meio de financiamento coletivo. “Quando fomos embarcar, nós éramos 70 empreendedores, cerca de 10% de mulheres e eu a única pessoa preta”, relata. Ela diz que se surpreendeu com a organização, com a limpeza, com os carros elétricos sem motorista, com os robôs vendendo frutas, com a acessibilidade a compras e aos serviços prestados... Começou a comparar com seu bairro sem saneamento básico, com as pessoas impactadas pela precarização do trabalho causada pelas tecnologias digitais, sem oportunidades de acesso a emprego e a bens. “Voltei com tanto ódio, então eu só chorava.”

Dessa revolta surgiu a ideia inovadora: “Vou levar dez empreendedores negros para conhecer o Vale do Silício, para conhecerem o futuro da tecnologia, da qual fomos excluídos”. Assim, surgiu o projeto Do Silêncio ao Silício, que já concretizou duas viagens à região, levando, no total, 20 pessoas negras, e está preparando uma nova viagem para o mês de abril. 

Desde que levou o primeiro grupo, Danielle se tornou conhecida pela ideia arrojada. Recebeu prêmios pela iniciativa, tem sido procurada para entrevistas por diversos veículos de imprensa e se tornou matéria da revista Forbes, a principal revista da área de economia mundial. Com isso, conseguiu um investimento de um empresário do próprio Vale do Silício e continua obtendo financiamento coletivo a cada viagem. Para ela, a raça humana não pode simplesmente continuar delegando a própria inteligência para a inteligência artificial, é preciso tomar as rédeas da situação. E a empresária encontrou uma maneira de estar no comando e levar outras pessoas com ela por meio do empreendedorismo. “Empreendedorismo vale por dez universidades, porque, cada vez mais, surgem desafios, coisas que precisam ser resolvidas para continuar a jornada”, finaliza. 

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